Os motoristas curitibanos são os mais perdidos do Brasil. Uma pesquisa, organizada pela empresa Nokia, mostra que um em cada três curitibanos já pegou o caminho errado. A média nacional é bem inferior à da capital, 8%. O estudo ouviu mil pessoas em oito capitais brasileiras e também foi realizado em mais 13 países. As perguntas questionavam o senso de direção e hábitos de navegação de quem dirige. Quando comparado a outros países, os brasileiros são os que mais se perdem quando vão para o exterior: 31% dos entrevistados disseram ter problemas de localização quando estão fora de casa.

Para os brasileiros, um dos motivos para tanta desorientação é a realização de múltiplas tarefas. Apesar disso, apenas 5% aceitariam utilizar aparelhos de GPS (sistema de posicionamento global).
A fisioterapeuta Keterine Gusso Miranda foi morar em Nova Iorque no ano passado e teve dificuldades para se localizar. A saída foi comprar um GPS. O aparelho se tornou seu melhor amigo. São tão inseparáveis que, no retorno ao Brasil, ele foi o primeiro a entrar na mala. Keterine também utiliza bastante o GPS em Curitiba. Ela já se atrasou diversas vezes para compromissos profissionais por dificuldade de encontrar o caminho. Novamente com viagem marcada, desta vez para a Europa, o GPS vai a tira-colo. “É a dica para todo perdido, não tem erro.”
O chefe do serviço de Neurocirurgia do Hospital Cajuru, o médico Luís Aguiar, explica que o senso de direção está relacionado com a capacidade cerebral. “Nosso cérebro constrói mapas e roteiros. Para isso, utiliza áreas distintas responsáveis por lembrar o trajeto, elaborar os mapas e realizar a atividade motora.” A capacidade de localização está relacionada com a prática. Se o cérebro for estimulado, a função melhora.
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