Ministro da Justiça defende reforma política

UOL Notícias

O Ministro da Justiça Tarso Genro defendeu uma profunda reforma politica no Brasil e criticou a excessiva regionalização dos partidos políticos em entrevista ao El País (leia a matéria na íntegra aqui) na edição desta quarta-feira (9).

É preciso uma profunda reforma política que organize o sistema de partidos e que faça algumas transformações importantes no sistema eleitoral, por exemplo, com financiamento público das campanhas eleitorais e com a votação não tanto no indivíduo quanto na chapa, disse o ministro ao jornal espanhol.

Segundo Genro, a votação dos candidatos individualmente, com pouca ou nenhuma informação sobre sua filiação partidária, deve ser substituída pela votação em listas abertas.

Quando você concorre com uma votação nominal para ser deputado, seu inimigo é o companheiro de seu partido porque tem de ter uma votação maior. E qual é a conseqüência no comportamento parlamentar? Há pressões de todo tipo sobre o orçamento do Executivo.”

Genro também vê uma excessiva regionalização dos partidos políticos.

Não se preocupam de maneira adequada com as graves questões nacionais, e sua relação com a estrutura estatal é em função de seus problemas locais e regionais, e isso determina uma confusão programática e uma ausência de clareza ideológica nos partidos.

Economia e violência
O ministro da Justiça também tratou da economia brasileira e da violência. Genro vê a emergência de uma nova classe média no Brasil. “Hoje há 25 milhões de pessoas, cerca de 8 milhões de famílias, que [saindo da pobreza] entraram na sociedade formal através do emprego e adquiriram um poder aquisitivo superior”.

Em relação à violência, disse que a criminalização das favelas é apenas parte da questão, porque o mercado de drogas ” é um mercado da classe média alta e superior. Há um pacto perverso entre a pobreza da favela e a capacidade de consumo de droga das classes superiores, e é preciso romper essas vias de comunicação.”

Chamado de “o delegado de Lula” pelo El País, Genro é apontado como “um homem essencial no Partido dos Trabalhadores (PT) e nos dois governos Lula, pois conhece como poucos os mecanismos políticos e sociais.”

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