R E C I P R O C I D A D E aos estrangeiros

Gazeta – Agência Brasil

O Brasil adotará o princípio da reciprocidade em relação a qualquer país que coloque em prática medidas contra a entrada e permanência de cidadãos brasileiros. De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tal posicionamento ficou claro durante reunião ministerial de segmento da parceria estratégica firmada há um ano entre Brasil e União Européia. O encontro de trabalho aconteceu no começo deste mês, na Eslovênia.

Esse assunto foi levantado para que eles entendam que esse é um assunto político, não é apenas um assunto consular, disse Amorim nesta terça-feira (17), após falar sobre emigrações na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

A reciprocidade é um pressuposto. Além disso, queremos um tratamento humano, correto, queremos que os brasileiros não sejam objetivo de uma ação concentrada em função da nacionalidade. Seria incompatível com a contribuição que nossos cidadãos dão a outros países, da mesma maneira que recebemos essa contribuição, no passado, de imigrantes, ponderou.


Amorim preferiu não comentar a possibilidade de a Inglaterra passar a exigir visto para a entrada de turistas brasileiros, mas reiterou que o governo brasileiro adotará as mesmas medidas. No Brasil nós temos a boa prática de não reagir sobre hipóteses, mas o princípio da reciprocidade sempre valerá, comentou.

Quanto nova lei de imigração da União Européia, que será votada nesta quarta-feira pelo Parlamento Europeu e harmonizará as diferentes políticas de imigração em vigor nos países membros da União Européia, o chanceler disse que o Brasil respeita o direito de cada país determinar quem pode ou não entrar.

Desde que isso seja feito de maneira não arbitrária, não discriminatória e com respeito aos direitos humanos. Para nós, isso tem que ser na base da reciprocidade, reiterou. A globalização não pode ser só de movimento de capitais e de bens, tem que ser do movimento de pessoas, claro que dentro da lei, frisou.

Mais cedo, na Comissão de Relações Exteriores, Amorim reconheceu que o tema é espinhoso e difícil de ser tratado em razão da resitência européia frente ao aumento do fluxo de imigrantes brasileiros para aquela região. Mas disse acreditar numa reversão desta tendência a partir do crescimento da economia brasileira. E aproveitou para repetir um apelo que vem fazendo há sete anos na Rodada Doha: A grande maioria das pessoa não sai do seu país toa, sai quando não há oportunidades, quando está submetida pobreza, a dificuldades. Se a União Européia e os Estados Unidos ou outro país qualquer quiserem diminuir os fluxos migratórios eu tenho a receita muito simples, eliminem os subsídios agrícolas.

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